{"id":544,"date":"2007-03-14T13:09:58","date_gmt":"2007-03-14T17:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/2007\/03\/14\/sobre-poesia-escrevinhadores-e-outras-esquisitices\/"},"modified":"2007-03-14T13:09:58","modified_gmt":"2007-03-14T17:09:58","slug":"sobre-poesia-escrevinhadores-e-outras-esquisitices","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/2007\/03\/14\/sobre-poesia-escrevinhadores-e-outras-esquisitices\/","title":{"rendered":"Sobre poesia, escrevinhadores e outras esquisitices"},"content":{"rendered":"<p><!--[endif]--><\/p>\n<p>Pirilampulam blogs de poesia. Jornais as publicam diariamente. Na tv, \u00e9 chique. Baita-machos confessam ler e at\u00e9 escrever uns versos. A literatura retoma ao lirismo seu patamar de nobreza.<\/p>\n<p>O que deu no povo para render-se ao poema?<\/p>\n<p>Escrevinhadores s\u00e3o seres estranhos. Incapazes para qualquer profiss\u00e3o ou vagabundos. Os melhores s\u00e3o ambos. Escrevem pois \u00e9 uma \u00e2nsia irresist\u00edvel, \u00edntima, reveladora dos segredos, preconceitos, opini\u00f5es pol\u00eamicas. T\u00e3o pessoal que alguns jamais\u00a0 revelam suas preciosidades, engavetam e pronto.<\/p>\n<p>A interNerd difundiu esses tesouros. Exp\u00f4s ao mundo aqueles versinhos do fundo da alma. Milhares de poetinhas encontraram um varal para pendurar suas composi\u00e7\u00f5es. Esses escrevinhadores, estranhos, descobrem que escrever bem n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito raro. Pior: percebem que a poesia \u00e9, na verdade, sentimental. N\u00e3o basta um bom texto, tem que dar sorte do leitor estar no \u201cmomento\u201d certo para ler.<\/p>\n<p>Da\u00ed, os tecladores malucos que adoram resfolegar baba nos textos dos amigos, se aplicam em elogiar a todos como uma metralhadora girat\u00f3ria, esperando acertar algu\u00e9m que o elogie de volta. Um ciclo, viciado e imprest\u00e1vel, que n\u00e3o \u00e9 verdadeiro nem capacita os debatentes.<\/p>\n<p>Por outro lado, os neur\u00f3ticos digitadores tamb\u00e9m percebem que h\u00e1 bons ou, qui\u00e7\u00e1, maravilhosos poetas que usam a rede como mais um meio para construir a literatura. Repito: construir. Os bons poetas crescem ao ler textos alheios, ao receber cr\u00edticas embasadas e, principalmente, quando divulgam na rede uma vis\u00e3o po\u00e9tica sens\u00edvel, respons\u00e1vel, preocupada em difundir a poesia n\u00e3o como forma de engrandecimento pessoal, mas numa concep\u00e7\u00e3o mais humana, que aproxime as pessoas atrav\u00e9s dos sentimentos comuns, das tristezas, dos sonhos perdidos, daquilo que faz de todo homem um irm\u00e3o: o amor.<\/p>\n<p>Esta excentricidade po\u00e9tica existe desde sempre, por todo lado, sem tabu de sexo, cor ou n\u00edvel. Faz do homem um igual, conversa sem linguagem, exibe o que os maus escondem: a nossa fraqueza. E, assim, nos abra\u00e7a como esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>(-Esp\u00e9cie? -\u00c9. Sapien. -Ah).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pirilampulam blogs de poesia. Jornais as publicam diariamente. Na tv, \u00e9 chique. Baita-machos confessam ler e at\u00e9 escrever uns versos. A literatura retoma ao lirismo seu patamar de nobreza. O que deu no povo para render-se ao poema? Escrevinhadores s\u00e3o seres estranhos. Incapazes para qualquer profiss\u00e3o ou vagabundos. Os melhores s\u00e3o ambos. 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