{"id":38670,"date":"2013-07-05T15:39:54","date_gmt":"2013-07-05T20:09:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/?p=38670"},"modified":"2013-07-05T15:39:54","modified_gmt":"2013-07-05T20:09:54","slug":"irritado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/2013\/07\/05\/irritado\/","title":{"rendered":"Irritado"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio. Exige-se o sil\u00eancio. E ent\u00e3o a necessidade de arrebent\u00e1-lo. Mas que seja outro. Um incauto. Um de fora. De fora da sua irrita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele vem e fala. Diz qualquer coisa. E pronto. Os olhos injetam-se de f\u00faria. Os seus olhos. Esperavas por isso. Explodir. Explos\u00e3o. Gritar uma palavra imunda. T\u00e3o imunda que ao saltar de sua garganta lhe passe a sensa\u00e7\u00e3o de limpeza. Bola de pelo do gato. V\u00f4mito.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve docilizar a irrita\u00e7\u00e3o. Domestic\u00e1-la. Ela exige a\u00e7\u00e3o. Exagero.<\/p>\n<p>A irrita\u00e7\u00e3o precisa ser consumada em grito e f\u00faria. Mesmo que n\u00e3o exista ningu\u00e9m para presenci\u00e1-la. Uma parede para esmurrar at\u00e9 os ossos da m\u00e3o arderem.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o falo de uma mera irrita\u00e7\u00e3o. Desconforto. Falo daquela coisa que atrapalha, que zomba da nossa sanidade. Daquela coisa que acaba com o teu sossego, com a tua humanidade. A concentra\u00e7\u00e3o se desespera&#8230; o cora\u00e7\u00e3o parece que vai parar. Um suor come\u00e7a a escorrer pela tua paci\u00eancia. Afogando-a.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o o estouro. Duplicado, multiplicado. Quase uma f\u00faria. Quase raiva. Vontade de bater, de gritar. De dizer palavr\u00e3o bem alto. Ofender mesmo.<\/p>\n<p>Vejam bem. N\u00e3o \u00e9 uma apologia a viol\u00eancia. Longe disso. \u00c9 uma divaga\u00e7\u00e3o.\u00a0 A viol\u00eancia \u00e9 meramente ilustrativa. Quase rid\u00edcula. Demasiada humana. Serve como caricatura, m\u00e1scara de teatro para evidenciar nossas fragilidades.<\/p>\n<p>Contar at\u00e9 dez n\u00e3o resolve. Falo de uma irrita\u00e7\u00e3o que se instaura como um carneg\u00e3o em nossa pele. Feio, nojento, doloroso. E que deve ser expurgado, ejetado pra fora do corpo.<\/p>\n<p>Deve-se procurar o lugar adequado. O espa\u00e7o prop\u00edcio. O ambiente indicado. O fiasco \u00e9 sempre uma amea\u00e7a a sua reputa\u00e7\u00e3o, ao seu <i>status quo<\/i>.<\/p>\n<p>Explodir em lugares p\u00fablicos n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel. Muita gente pode n\u00e3o entender o n\u00edvel de <i>stress<\/i> que te levou \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o. Pode dar at\u00e9 pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Explodir diante dos familiares tamb\u00e9m\u00a0 \u00e9 complicado. V\u00e3o pensar que voc\u00ea \u00e9 mau, ignorante e essas coisas. L\u00e1grimas de crian\u00e7as te deixar\u00e3o mal pro resto da semana. A mulher emburrada poderia boicotar as <i>possibilidades \u00a0da carne<\/i>. E a\u00ed a irrita\u00e7\u00e3o iria atingir patamares incalcul\u00e1veis.<\/p>\n<p>Com os amigos&#8230; com alguns seria interessante. Sim. Com os que j\u00e1 n\u00e3o deseja muito contato&#8230; mandar um deles a merda seria interessante. Depois dir\u00edamos que foi o momento, o trabalho, os problemas&#8230;\u00a0 apesar que isso j\u00e1 est\u00e1 manjada. Melhor n\u00e3o. Pode sobrar um soco no olho, uma bofetada ou pior de tudo: O amigo pode querer \u00abtratar da rela\u00e7\u00e3o\u00bb. A\u00ed \u00e9 o fim. Aquela conversinha de \u00absempre fomos amigos\u00bb e essas coisas do g\u00eanero. O n\u00edvel da irrita\u00e7\u00e3o alcan\u00e7aria o patamar. N\u00e3o. Esquece os amigos. Nem eles s\u00e3o bons o suficiente pra a tua irrita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem sabe o espelho. Sim. O espelho. Olhar na cara e xingar. Mas xingar com vontade. Esbravejar. Ofender. Mandar pra bem longe, chamar pra briga. Se cuspir vai ter que passar paninho&#8230;<\/p>\n<p>Ou escrever. Escrever acalma e faz a gente sorrir no final. A irrita\u00e7\u00e3o se dissipa em letra e palavra. E frase e ideia. texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio. Exige-se o sil\u00eancio. E ent\u00e3o a necessidade de arrebent\u00e1-lo. Mas que seja outro. Um incauto. Um de fora. De fora da sua irrita\u00e7\u00e3o. Ele vem e fala. Diz qualquer coisa. E pronto. Os olhos injetam-se de f\u00faria. Os seus olhos. Esperavas por isso. Explodir. Explos\u00e3o. Gritar uma palavra imunda. 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