{"id":11229,"date":"2010-10-20T20:40:13","date_gmt":"2010-10-21T01:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/?p=11229"},"modified":"2010-10-20T20:40:13","modified_gmt":"2010-10-21T01:10:13","slug":"o-homem-consumido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.panfletonegro.com\/v\/2010\/10\/20\/o-homem-consumido\/","title":{"rendered":"O HOMEM CONSUMIDO"},"content":{"rendered":"<p>     Os olhos em l\u00e1grimas que jamais n\u00e3o chorariam na pele da cara sua, brilhavam no rosto da cibern\u00e9tica outra criatura. Quadrada forma de intenso devorar a a\u00e7\u00e3o. Preso. E junto todo o resto e entorno. A carne mastigada em luz, cuspida em sites, cortada em s\u00edtios, a imagem r\u00e1pida; diversa; de tudo quanto \u00e9 nada. Um nada presentificado, constru\u00eddo dentro e que se expande gradativamente. Outro mundo?<br \/>\nPlano de nova realidade. Multifacet\u00e1ria, plurinacional, multiplic\u00e1vel, a fal\u00e1cia do discurso total. Todos os discursos, todas as palavras, todas as vozes, todos os rostos. O mundo todo.  Mas apenas uma face. Tua.  Fascinado. Seduzido. O passado e o futuro te habitam. Tens a v\u00e3 id\u00e9ia que te ensinam que te informam, mas a rapidez com que alimentam teus desejos de saber e prazer n\u00e3o condiz com as possibilidades do teu corpo e da tua carne humana. E te constr\u00f3is atrav\u00e9s dos retalhos, dos trapos das informa\u00e7\u00f5es mal ingeridas que comp\u00f5em teu alimento. Excremento?<br \/>\n     E da sensibilidade que pretendias ter do mundo e das coisas que o mant\u00e9m, o que consegues \u00e9 o mais comum de todos os sensos. A tela da m\u00e1quina que \u00e9s brilha intensa. Queres l\u00e1grimas para chorar&#8230; Buscas na m\u00e1quina os sentimentos&#8230; Queres imagens para lembrar&#8230; Na m\u00e1quina&#8230; Queres inclusive os prazeres que da carne pertenciam anteriormente? Busca na m\u00e1quina o orgasmo virtual; corpos constitu\u00eddos e produzidos na ilus\u00e3o da imagem consert\u00e1vel, sexo da palavra pura, sexo discursivo, dial\u00e9tico, prazeres da contemporaneidade.<br \/>\n     O c\u00e9rebro, empanturrado de informa\u00e7\u00e3o, prazer e brilho. Mas o corpo, em seu triste estribilho resmunga&#8230; e os verbos dominados pelo Estado, rejeitam e renegam a a\u00e7\u00e3o. A f\u00edsica dos corpos est\u00e1 contida na luz digital, no som das teclas que constituem um outro plano&#8230; Matrix? A fic\u00e7\u00e3o?  E tudo aquilo que era o homem j\u00e1 mais n\u00e3o o \u00e9. Toda a filosofia, a sociologia, a religi\u00e3o, a moral, a \u00e9tica, a medicina, a educa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a pol\u00edtica&#8230; Devorados. Consumidos pela bocarra virtual.<br \/>\nDrag\u00e3o contempor\u00e2neo. Ame-o ou morra enc\u00e9falo!  O papel, investido de novo vil\u00e3o das instancias naturais do nosso real, \u00e9 acusado violentamente da mis\u00e9ria em que vivemos. Abaixo o livro!! O texto deve ser livre&#8230; O papel \u00e9 a pris\u00e3o do discurso, do verbo&#8230; Digam n\u00e3o ao papel!<br \/>\n      E limpam, sem exce\u00e7\u00e3o, o mundo inteiro, suas bundas&#8230; Magras e gordas, raqu\u00edticas ou fartas&#8230; e correm para a luz , a nova religi\u00e3o, o mais novo v\u00edcio&#8230;<br \/>\n     E estamos todos ligados. Energia que nos conecta, veias el\u00e9tricas que nos transformam numa grande entidade midi\u00e1tica, por fim o verdadeiro \u201cuno\u201d, a criatura final. Nossas vidas depositadas em caixas, nossas imagens expostas ao universo, nossos segredos vendidos como mercadoria. J\u00e1 n\u00e3o somos o que \u00e9ramos agora somos o que nos tornamos&#8230; E nos tornamos o que querem que sejamos. Somos o Frankstein. Somos fotos, filmes, palavras escritas&#8230; Conseguimos por fim eliminar a morte.<br \/>\n     A grande vit\u00f3ria. O corpo perfeito, a criatura perfeita. A tecla \u00e9 pressionada e seu texto \u00e9 arquivado e enviado pro mundo inteiro, tua imagem \u00e9 salva das decrepitudes do tempo, voc\u00ea sorri. Est\u00e1 satisfeito. \u00c9s eterno. S\u00f3 falta o peso. O corpo. Sim&#8230; \u00e9 claro. Um estalido seco, uma gota de sangue na tela do computador e a grande cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 livre&#8230;<\/p>\n<p>Pedro Os\u00f3rio sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009<\/p>\n<p>ronie von rosa martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os olhos em l\u00e1grimas que jamais n\u00e3o chorariam na pele da cara sua, brilhavam no rosto da cibern\u00e9tica outra criatura. Quadrada forma de intenso devorar a a\u00e7\u00e3o. Preso. E junto todo o resto e entorno. 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